Trecho do início do primeiro conto 'Tchan...Tchan...Tchan...Tchan...'

Nas tardes da minha infância, lembro bem, lá pelas 17h meus ouvidos já estavam preparados. Esperando. Brincávamos ao redor daquela misteriosa casa.

Ela mais parecia um castelo mal-assombrado e com o reboco todo caindo.

Embora os muros altos não impedissem ninguém de entrar, a fama de mal-assombrada era o suficiente para afastar todos de qualquer tentativa, ainda mais garotos da minha idade. Isso era algo em torno de nove para dez anos.

O ano era 1969 e os Beatles e a turma do Roberto Carlos agitavam as “jovens tardes de domingo”. Mas não era na TV não. Era nas vitrolas dos adolescentes classe média, que abriam bem as janelas, para mostrar seus modernos, para a época, aparelhos. Nós, agitávamos na beira do rio.

Marcelino Ramos é uma cidade amada por seus moradores e principalmente por quem lá nasceu. E os que a deixaram, o fizeram para conquistar novos espaços, não por não gostarem dela.

De lá saíram nomes conhecidos, pessoas de grande influência hoje, no cenário nacional e mundial. A maioria, filhos e netos de imigrantes europeus, que chegaram no início do século e partiram, mais tarde, junto com a ferrovia (cujas viagens se reduziram a “trens de carga”) e por causa da desindustrialização da cidade também, que, como dizia meu avô, “era empurrada para o morro ou para o rio”.

O rio era nossa alegria. Nós o tínhamos por inteiro e por ele brigávamos. E era ali que ele nascia, o Uruguai, na junção do Peixe com o Pelotas. Meu avô morreu com esta convicção e não há livro de geografia que tire isso de qualquer um de nós marcelinenses, assim como ninguém nos convence de que os americanos irmãos Wright com sua “catapultazinha” chegaram aos céus antes de Santos Dumont e o seu 14 Bis, em Paris.

A casa ficava no alto do morro, afastada da cidade. No entanto era possível avistá-la de vários pontos.

Para se chegar pela frente era necessário costear o rio e nossas mães, muito zelosas, nos advertiam do perigo e nos lembravam das enchentes e dos muitos que caíram da ponte e morreram afogados. Enchentes nunca vimos, nem pela televisão, que lá era apenas o aparelho que dona Dinah tinha ganho da filha que morava em Porto Alegre.

Todos a visitavam sem pretexto nenhum para conhecê-lo. Uma caixa toda verde, parecida com as quais a Xuxa iria anunciar, anos mais tarde, como novidade. Em Porto Alegre a TV Piratini era famosa por seus programas de auditório, onde, inclusive, surgiu Elis Regina. Ali assistíamos aos chuviscos. Era muito engraçado.

Às cinco horas da tarde, em ponto, lembro do detalhe pois ganhei meu primeiro relógio nessa idade, e tudo era motivo de olhar as horas, ouviam-se os primeiros acordes da 5ª Sinfonia saindo da casa e se espalhando pelos arredores. Não sabia que música era aquela. Somente com o passar do tempo fui conhecer. Mas gostava. Era executada até seu final e com uma perfeição que sentia poder reproduzi-la só de ouvido às vezes. Ao mesmo tempo era assustadora, intrigante. (....)

.................................................................. (Leia o conto 'Pedro Bala', na íntegra, clicando aqui. Não faz parte do livro).

 

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